O Que Te Trava? Como as Crenças Limitantes se Escondem no Corpo
Semana 2 de outubro · O mês do Avanço · Jornada do Ano da Direção
Tem uma cena que se repete na vida de muita gente.
Você sabe o que quer. Já pensou, já planejou, já sentiu que agora vai. E então, bem na hora de dar o passo, algo acontece. Um cansaço que chega do nada. Uma vontade enorme de deixar para depois. Um aperto no peito. Uma voz baixinha dizendo: "não é o momento".
E aí você para. De novo.
Se isso já aconteceu com você, quero te dizer uma coisa com muito carinho: provavelmente não é falta de vontade, nem de disciplina, nem de capacidade. Muitas vezes, o que nos trava é algo que a gente nem sabe que carrega: uma crença.

O que é uma crença, afinal?
Uma crença é uma definição que você aprendeu sobre a vida, sobre você e sobre o que é possível. Ela nasceu de uma experiência, de algo que você ouviu, de um momento em que precisou se proteger.
"Dinheiro é difícil.""Se eu me mostrar, vão me julgar.""Não é seguro mudar.""Eu sempre fico sozinha no final."
O problema é que a crença não fica só na cabeça. Ela vai para o corpo. Ela vira postura, vira tensão, vira respiração curta, vira reação automática.
No yoga, chamamos essas marcas de samskaras: impressões profundas que se repetem até a gente olhar para elas com consciência. É como um caminho na grama. Quanto mais se passa por ele, mais fundo ele fica, e mais fácil fica passar por ali de novo, mesmo quando não é para lá que você quer ir.
Você não age de acordo com o que deseja. Você age de acordo com o que acredita ser possível para você. E quando desejo e crença entram em conflito, a crença costuma vencer.
O corpo mostra onde a crença mora
Aqui vem uma das coisas mais bonitas da Biopsicologia, a modalidade de yoga da tradição tântrica da escola Ananda Marga que eu ensino: o corpo nos mostra o caminho.
Cada chakra é um centro de energia, e cada um guarda um tipo de definição sobre quem você é. Quando você percebe onde sente a trava, começa a entender que tipo de crença está ali.
Vamos fazer esse caminho juntas, da raiz até o topo. Enquanto lê, ou ouve, repare se alguma dessas descrições acende algo em você.
O primeiro chakra, Muladhara, na base da coluna.É o chakra da segurança e da sobrevivência. Se a sua trava aparece como medo de perder o que tem, insegurança financeira ou aquela sensação de que mudar é perigoso, talvez a crença more aqui. Ela costuma soar como: "não é seguro", "e se der errado?".
O segundo chakra, Svadhisthana, no baixo ventre e no quadril.É o chakra das emoções, do prazer e da criatividade. É aqui que muitas vezes guardamos mágoas, ressentimentos e culpas. Se você sente o quadril sempre tenso, se carrega uma história que ainda dói, se sente que não merece prazer, talvez a crença more aqui: "ainda não superei", "não mereço".
O terceiro chakra, Manipura, na região do estômago. É o centro do fogo, do poder pessoal e da vontade. Se a sua trava é o medo de se mostrar, de ocupar espaço, de ser vista, talvez a crença more aqui: "quem sou eu para isso?", "vão me julgar".
O quarto chakra, Anahata, no centro do peito. É o chakra do amor, do sentir, da abertura. Se você sente um aperto no peito quando pensa em se entregar, em confiar, em amar de novo, talvez a crença more aqui: "se eu me abrir, vou me machucar".
O quinto chakra, Vishuddha, na garganta. É o chakra da expressão. Se você tem medo de falar, de se posicionar, de dizer não, de compartilhar suas ideias com o mundo, talvez a crença more aqui: "minha voz não importa", "é melhor ficar calada".
O sexto chakra, Ajna, entre as sobrancelhas. É o chakra da clareza e da visão. Se os seus pensamentos andam nublados, se você se sente confusa, sem conseguir enxergar outro caminho além do de sempre, talvez a crença more aqui: "sempre foi assim", "não tem outro jeito".
O sétimo chakra, Sahasrara, no topo da cabeça. É o chakra da conexão com algo maior. Se você se sente sozinha, desamparada, sem pertencimento, como se precisasse dar conta de tudo sem ajuda, talvez a crença more aqui: "estou sozinha nessa".
Talvez você tenha se reconhecido em mais de um. Isso é natural. As crenças conversam entre si, e o corpo é um só.
O avanço começa quando você olha
Na semana passada, falamos que avançar incomoda. Nesta semana, o convite é dar um passo antes: olhar para o que te trava, em vez de brigar com isso.
O yoga tem um nome para esse olhar: svadhyaya, o estudo de si. É se observar com honestidade, sem julgamento. Não para se condenar, mas para enxergar.
E aqui está o ponto mais importante: a crença que te trava hoje um dia te protegeu. Ela foi a melhor resposta que você encontrou em algum momento da vida. Ela merece respeito. Mas ela não precisa mais dirigir.
E como se muda uma crença?
Não com força de vontade. Se fosse assim, uma lista de metas bastaria.
Crença se muda com prática. Com presença. Com repetição. No yoga chamamos isso de abhyasa: a prática constante, feita com dedicação, dia após dia.
E existem caminhos muito concretos para isso:
Pelas posturas. Quando você sustenta uma postura difícil e respira, em vez de fugir, ensina ao corpo uma resposta nova. A Malasana trabalha a raiz e o quadril. A cadeira acende o fogo de sustentar. O guerreiro abre o peito para ocupar o próprio lugar.
Pelo pranayama. A respiração é a ponte entre o corpo e a mente. Uma expiração longa acalma o medo. Uma respiração consciente traz você de volta para o único lugar onde a mudança acontece: o momento presente. A crença vive do passado e do medo do futuro. A respiração te devolve ao agora.
Pelas aformações. Em vez de afirmar "eu sou capaz", você pergunta: "por que eu sou tão capaz de avançar?". A mente para de discutir e começa a procurar a resposta. Uma pergunta nova abre um caminho novo.
Pela meditação. Sentar, mesmo quando a mente não quer. Ficar. Observar. É ali que os samskaras começam a perder força, porque deixam de agir no escuro.
Pela escrita. Colocar no papel o que você sente e o que descobriu dá nome ao invisível. E o que tem nome perde metade da força.
E pela terapia, quando for preciso. Algumas marcas são profundas demais para atravessar sozinha. A psicoterapia e outras terapias são aliadas valiosas para deixar para trás o que precisa ficar para trás e seguir com o que precisa seguir. Pedir ajuda também é avançar.
Uma prática para fazer agora
Se você puder, pare um minuto.
Feche os olhos. Pense em algo que você quer muito, mas ainda não conseguiu avançar. Imagine que está prestes a dar esse passo.
Agora repare: onde o seu corpo reage? Na base? No quadril? No estômago? No peito? Na garganta? Na cabeça?
Leve a mão até esse lugar. Respire para ele.
E pergunte, em silêncio: "em que eu acredito que me faz travar aqui?"
Não precisa ter a resposta agora. Só fazer a pergunta já é o começo. Para fechar, troque a crença por uma aformação: "por que agora eu me sinto segura para avançar?"
Ainda dá tempo de terminar 2026 diferente Faltam poucas semanas para o ano acabar. E eu sei que muita gente chega em outubro sentindo que não está onde imaginou que estaria. Mas o avanço não depende de recomeçar do zero. Depende de mudar a raiz, e não só a superfície.
Sozinha, a gente costuma dar voltas em torno dos mesmos bloqueios. Com um método, a gente ganha clareza e velocidade.
Foi exatamente por isso que eu criei o Reset Biopsicológico: um programa de 7 dias que une posturas, respiração, aformações e escrita terapêutica em práticas diárias e curtas. É o passo a passo para você desarmar o que te trava no corpo e abrir espaço para o seu avanço real.
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Lembre-se: você não é as suas crenças. Você é quem pode escolher novas.
O que te trava não é falta de capacidade. É lealdade ao antigo você.
Te espero no tapetinho, presencial ou online.
Sté
Samambaia Yoga & Terapias




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