Bem-vindo a Junho: o Mês da Criação, Vishuddha, a Tireoide e o Poder da Expressão Consciente
- Samambaia Terapias
- há 34 minutos
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Existe uma passagem na física moderna que ecoa uma das frases mais antigas da humanidade.
No início, dizem os cosmólogos, havia um silêncio absoluto. Não o silêncio de uma sala vazia, mas o silêncio do nada. Sem espaço, sem tempo, sem matéria. E então algo aconteceu. Uma vibração. Um pulso. Uma frequência que rompeu o vazio e fez o universo existir.
O Big Bang não foi uma explosão silenciosa. Foi, em sua essência, uma emissão. Um som primordial. Uma voz que criou.
E no início do Evangelho de João, a mesma verdade aparece em outras palavras: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Todas as coisas foram feitas por ele."
O Verbo. A palavra. A voz. A expressão. Em culturas separadas por milênios e oceanos, a mesma intuição: criar é, antes de tudo, expressar.
É exatamente por isso que junho, dentro da nossa jornada pedagógica do Ano da Direção, é o Mês da Criação. E é exatamente por isso que começamos pela pergunta mais fundamental de todas: O que eu tenho a expressar ao mundo?

O quinto chakra: o centro onde a visão vira realidade
No sistema energético do yoga, o corpo humano possui sete centros principais de energia, os chakras. Cada um governa não apenas uma região do corpo físico, mas uma dimensão da experiência humana. Uma forma de processar o mundo. Uma camada da consciência.
O quinto chakra, Vishuddha, localiza-se na região da garganta. Em sânscrito, seu nome significa pureza ou purificação. Mas sua função vai muito além de "falar bem." Vishuddha é o ponto onde o mundo interior encontra o mundo exterior. É a ponte entre o que você sente, pensa e percebe, e o que você manifesta, cria e oferece.
Antes dele, no quarto chakra, Anahata, você aprende a sentir. A amar. A conectar-se com o que é verdadeiro dentro de você. No Vishuddha, você aprende a trazer isso para fora. A dar forma. A criar.
É o chakra da expressão autêntica, da criatividade, da comunicação. Mas também, e aqui começa a convergência fascinante com a ciência, é o chakra da tireoide.
A glândula que regula tudo: a tireoide e o chakra da garganta
A tireoide é uma glândula em formato de borboleta localizada na base do pescoço, exatamente sobre o chakra Vishuddha. E sua função no organismo é curiosamente muito parecida com o que os antigos descreviam energeticamente: ela regula o ritmo de tudo.
A tireoide produz hormônios, principalmente T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina), que influenciam praticamente todos os órgãos do corpo. Metabolismo, temperatura, frequência cardíaca, humor, memória, ciclo menstrual, crescimento celular. Quando a tireoide funciona em equilíbrio, o organismo inteiro encontra seu ritmo natural. Quando ela desequilibra, tudo desregula.
O hipotireoidismo, quando a glândula produz menos hormônios do que o necessário, frequentemente se manifesta com sintomas que, não por acaso, têm tudo a ver com um Vishuddha bloqueado: fadiga profunda, lentidão, depressão, dificuldade de expressar pensamentos, sensação de estar "engolindo" as próprias palavras, retraimento social.
O hipertireoidismo, excesso de hormônios, pode gerar ansiedade, agitação, fala acelerada, dificuldade de silenciar. Um Vishuddha em sobrecarga, gritando porque nunca aprendeu a se expressar com direção.
A medicina convencional trata esses desequilíbrios com reposição hormonal. O yoga e a Biopsicologia perguntam algo diferente: o que essa pessoa está segurando? O que ela nunca disse? O que ela engoliu por anos?
A Biopsicologia da expressão: o que acontece no corpo quando você não se expressa
A Biopsicologia, base da nossa prática aqui na Samambaia, compreende o ser humano de forma integrada. O corpo não é um recipiente passivo da mente. Ele é, ele mesmo, um sistema de inteligência que registra, processa e armazena experiências, inclusive as que a mente preferiu não elaborar.
Wilhelm Reich, um dos precursores dessa compreensão, descreveu o que chamou de couraça muscular: tensões crônicas que o corpo desenvolve como mecanismo de defesa diante de emoções que não encontraram saída. A região da garganta, do pescoço e dos ombros é um dos territórios mais comuns dessa couraça.
Quando uma criança aprende que sua voz não é bem-vinda, que o que ela sente é "demais", que o que ela quer dizer é "inconveniente", que expressar-se tem consequências, o corpo aprende a segurar. A engolir. A comprimir. Esse padrão, quando se repete ao longo dos anos, não fica só na memória. Ele se instala no tecido. Na musculatura. Na postura. E energeticamente, bloqueia o fluxo de Vishuddha.
O resultado? Uma pessoa que tem muito a dizer mas não consegue começar. Que sente criatividade por dentro mas encontra um muro quando tenta expressá-la. Que sabe o que quer criar mas fica paralisada antes de agir. Isso não é falta de talento. Não é falta de vontade. É o corpo protegendo o que um dia foi perigoso de expressar.

Como a prática liberta a voz
As posturas da semana 1 de junho não foram escolhas aleatórias. Há uma inteligência somática por trás de cada abertura de peito, de cada extensão de pescoço, de cada postura que expõe a garganta.
Matsyasana, a postura do peixe, abre o peito e expõe a garganta ao céu. É uma postura de vulnerabilidade e coragem. De dizer ao universo: estou aqui, e tenho algo a oferecer. Sarvangasana, a postura sobre os ombros, comprime suavemente a tireoide, estimulando sua função. Após a saída da postura, há uma liberação de fluxo sanguíneo que nutre toda a região. Ustrasana, o camelo, é uma extensão profunda da coluna que abre garganta e coração simultaneamente. É impossível fazer o camelo e permanecer fechado.
E além das posturas, a respiração com som, qualquer emissão consciente de voz, desde o simples "aaah" ao fim de uma expiração, ativa as cordas vocais, ressoa no crânio e no tórax, e envia ao sistema nervoso um sinal muito claro: é seguro expressar. O mantra de Vishuddha é HAM. Sua repetição cria uma vibração específica na região da garganta que purifica e ativa o chakra.
Você é uma criação que cria
Se o universo começou com uma vibração, e se você é feito da mesma matéria desse universo, então criar não é um talento especial reservado para artistas e gênios. Criar é a sua natureza mais fundamental.
Vishuddha nos lembra que você não está aqui apenas para sobreviver, adaptar-se, encaixar-se. Você está aqui para expressar algo que só você pode expressar, com a combinação única de experiências, percepções, sensações e visões que constituem exatamente quem você é. Bloquear essa expressão não é modéstia. É uma forma de negar ao mundo algo que só você pode dar.
A pergunta da primeira semana de junho não é retórica. É uma prática: O que eu tenho a expressar ao mundo?
Bem-vindo ao Mês da Criação
Junho na Samambaia é um convite para você parar de guardar o que veio para oferecer. É um convite para praticar a expressão como prática espiritual, não porque você precisa ser visto, mas porque a criação é uma forma de amor. Amor por aquilo que você percebe. Amor por quem poderia se transformar ao entrar em contato com o que você tem a dizer.
Cada aula, cada meditação, cada prática desse mês foi desenhada para ir destravando, camada por camada, o que está esperando para nascer em você. Se você quer vivenciar isso de dentro, com meditações guiadas, aulas temáticas, práticas de Biopsicologia e um espaço de partilha com pessoas que estão na mesma jornada, o Clube Samambaia está aberto para você.
É a nossa comunidade mensal onde a jornada pedagógica do Ano da Direção acontece em profundidade. Por R$67/mês, você tem acesso a aulas ao vivo, meditações exclusivas, práticas somáticas e ao tema mensal trabalhado com toda a atenção que ele merece.
Porque sua voz importa. E o mundo precisa do que você veio criar. 🌿


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